Philippe Starck, famoso designer francês, autor de vários objetos icônicos, como a poltrona Louis Ghost, esteve no Brasil no fim do ano passado para lançar a cadeira Mas- ters, que brinca com três clássicos: a Série 7 Chair, de Arne Jacobsen, a Tulip Armchair, de Eero Saarinen, e a Eiffel Chair, de Charles Eames. Ela é feita de plástico moldado, o polipropileno, material mais acessível para a produção em larga escala. "O design era muito elitista, feito por poucos e para poucos, e isso não era lógico", afirmou Starck. Esse conceito mais democrático, porém, ainda busca novos materiais e formas alternativas de produção.
Karim Rashid, designer industrial egípcio, que também esteve no país, acha que o plástico, um dos responsáveis por baratear os objetos de design, começa a ser questionado. Ele acredita na importância de procurar matérias-primas alter- nativas, como o bioplástico. "Não posso obrigar quem me contrata a usar algo biodegradável, mas posso contar que exis- tem outras possibilidades." Starck tem uma visão diferente. É contra o uso de matérias de origem orgânica. "O espaço para cultivar alimentos não deve ser usado para outras finalidades." O bioplástico, assim como o biocombustível, é produzido de certos cultivos, como o de cana-de-açúcar. Para ele, o mais importante é investir em tecnologia e durabilidade. "A ideia é que no futuro você compre algo que dure a vida inteira", diz.
Marcelo Rosenbaum, designer paulista, acredita que o Brasil passa por uma busca de produtos de qualidade, ecologicamente viáveis e acessíveis. Por isso, ele desenvolve trabalhos em peque- nas comunidades que resultam em obras como as da coleção Jalapa, feita no Tocantins, à base de capim-dourado. São cestas e colares com o know-how local e o design de Rosenbaum. Assim, o desenvolvimento humano, o resgate cultural e o uso de mate- riais locais tornam o design mais democrático.
Fonte: Planeta Sustentável