O Rock in Rio, que já é o maior festival de música do país, agora se lança em mais um ambicioso plano de ação: ser o primeiro evento no Brasil a ter a cerificação 100R, selo internacional que atesta emissão zero de carbono e 100% de reciclagem. Em coletiva para a imprensa, em Santa Teresa, a organização do festival anunciou seu Plano de Sustentabilidade para o evento, que acontece nos dias 23, 24, 25, 29 e 30 de setembro e 01 e 02 de outubro na Cidade do Rock, em Jacarepaguá. As ações incluem a gestão de resíduos, redução e compensação da emissão de carbono, programas educacionais e a campanha "Vá de ônibus".
A certificação 100R se baseia nos três pilares da sustentabilidade: econômico, ambiental e social. Ou seja, só recebe o selo quem pratica uma economia de custos no encaminhamento dos resíduos para aterro e garante a venda do material reciclado, reduz a quantidade de detritos encaminhados para aterro sanitário e trabalha em sua transformação em recursos para projetos de reflorestamento. O certificado ainda prevê a integração de catadores de lixo na operação. A receita gerada a partir da venda dos resíduos será cedida para a Cooperativa Barracoop, escolhida para esta edição do Rock in Rio por seu trabalho e sua localização próxima à Cidade do Rock.
O evento será "carbono zero". Estamos fazendo um estudo detalhado de toda a emissão de CO² relacionada com os processos envolvidos na realização do festival - dos aviões que trazem os músicos até o número de pessoas presentes no evento - e vamos compensar tudo. A nossa campanha "Vá de ônibus", que incentiva o público a deixar o carro em casa e e usar o transporte coletivo para ir ao festival, também vai ajudar a diminuir a emissão - reforçou Roberta Medina, vice-presidente do Rock in Rio.
A instituição portuguesa Sociedade Ponto Verde é a responsável pelo certificado 100R, que será implementado pela primeira vez no Brasil. Em Portugal, o Rock in Rio já é um sucesso em termos de sustentabilidade - disse Luís Martins, diretor geral da Sociedade Ponto Verde. - Para se ter uma ideia, na edição de 2006, sem o 100R, o Rock in Rio Lisboa reciclou apenas 3% do total de resíduos que gerou (menos de quatro toneladas). Em 2008 e 2010, a reciclagem aumentou para 48% dos resíduos. No Brasil, a certificação do Rock in Rio pretende ser um marco na gestão ambiental, especialmente pela questão da reciclagem estar apenas no começo. Será um exemplo para a cidade do Rio de Janeiro - afirmou.
Roberta Medina aproveitou a oportunidade para fazer um retrospectiva e lembrou como o festival se envolveu com as questões ambientais.
Inicialmente nossa preocupação era com a cidade, queríamos divulgar o Rio internacionalmente. Em 2001, a história já era outra e usamos o poder midiático do festival para promover grandes ações sociais e lançamos o projeto "Por um mundo melhor". Acreditamos que é importante o consumidor reconhecer o valor de uma marca que se preocupa com causas sociais e ambientais - explicou Roberta.
O Plano de Sustentabilidade contará com o apoio direto da Comlurb, Companhia Municipal de Limpeza Urbana. A empresa trabalhará com uma equipe de 1.930 garis, 659 equipamentos diversos e 600 contêineres de 240 litros.
Teremos uma equipe trabalhando 24 horas por dia dentro e fora da Rock in Rio. Depois do evento, o Rock in Rio vai doar os receptores para as UPPs do estado - disse a presidente da Comlurb, Angela Fonti.
Nada de guimbas de cigarro no chão
Uma das ações educacionais promovidadas dentro da Cidade do Rock fica por conta do Movimento Rio Eu Amo Eu Cuido, que durante os dias do festival vai tentar sensibilizar os fumantes a não descartarem suas guimbas no chão. Serão distribuídos 100 mil porta-guimbas e instalados cinzeiros especiais na Rock Street e aborgadens interativas e bem humoradas feitas por um grupo de 10 mímicos.
Fonte: Globo